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segunda-feira, 15 de março de 2010

Papão detona o Remo no primeiro jogo da final


Esqueça aquele time do Paysandu que só acordava após o primeiro tempo. Esqueça também a invencibilidade do Remo no primeiro turno do Parazão. O segundo Clássico-Rei da Amazônia do ano,

realizado ontem no Mangueirão, foi de inversões, pois quem começou nervoso foi o Filho da Glória e do Triunfo, enquanto o Papão, embalado pelas mudanças efetuadas no comando técnico, se mostrou um time novo, não apenas pelos recentes reforços que embarcaram no time, mas pelo futebol que apresentou. O resultado do confronto que valia os primeiros 90 minutos da decisão da Taça Cidade de Belém foi favorável aos bicolores, que conseguiram reverter a vantagem azulina, com um placar de 4 a 2.

A estrela do novo técnico bicolor, Charles Guerreiro, começou a brilhar logo na etapa inicial, quando Didi, que era dúvida para a partida, finalmente desencantou e abriu o placar, apoiado por Thiago Potiguar, que apesar de falhar no início, ao perder um gol claro, se redimiu e foi peça importante para a vitória. Só que Didi queria mais e, depois que Moisés marcou o segundo do alviceleste, o amigo de Cabañas teve o mérito de marcar o centésimo gol do certame e desabafou. “Para quem estava fora do jogo, vir para um Re-Pa e fazer dois tá bom, né?”, questionava.

Aparentemente sim, mas o placar de 3 a 0, com direito a expulsão de um imaturo Raul, que deu uma cotovelada em Didi, não tirou o ânimo dos até então invictos azulinos, que conseguiram fazer o primeiro gol ao fim da etapa inicial, com Marciano, de pênalti.

No segundo tempo, o Leão voltou para a partida disposto a fazer valer a melhor campanha do turno e, logo no início, encostou no placar com Heliton. Com o resultado de 3 a 2, o que se viu foi um jogo equilibrado, mesmo com os remistas tendo um homem a menos. O jogo foi lá e cá. Com muita pressão do time de Sinomar Naves no fim da partida, o inspirado Moisés, que não raro apronta depois dos 40 minutos, fechou o resultado da partida. Paysandu 4, Remo 2. Fim do jogo, início de chuva. Seria a turma do céu, ajudando a lavar a alma alviceleste? Afinal, o Paysandu conseguiu quatro feitos: tirar a vantagem do Remo, quebrar a invencibilidade do rival, ir para a próxima partida podendo perder por até um gol de diferença e, o mais importante, convencer a Fiel sobre o que tenta desde o início da temporada... Eles podem chegar lá!
(Diário do Pará)

Torcida bicolor teve motivos de sobra para vibrar


Há outras razões. Mas a proibição de bebidas alcoólicas gerou efeitos singulares no futebol paraense. O primeiro é a concentração de torcedores do lado de fora dos estádios. O segundo é que somente quando o ponteiro do relógio chega perto das 16h é que as arquibancadas costumam lotar. Foi o que se observou, ontem, pouco antes do clássico Rei da Amazônia de número 702.

O Mangueirão só parecia tomado por volta das 15h30. Foram 23.360 pagantes. E como de praxe, o equilíbrio entre Fenômeno Azul e a Avalanche bicolor foi a tônica. Aliás, a então boa campanha do Remo resultou na confiança dos azulinos. O grito de guerra foi “O meu Leão voltou... O meu Leão voltou...”. Do lado alviceleste, a resposta num tom irônico “Sem divisão voltou... Sem divisão voltou”.

Obviamente que à medida que o Papão foi tomando conta do placar, a torcida bicolor cantou mais alto, vibrou no melhor estilo “É Bicolor, é bicolor...”. Só quando o Remo diminui a desvantagem é que o lado azulino voltou a equilibrar as ações. Assim que entrou, Samir pediu mais vibração à torcida. E conseguiu... do lado celeste, o volante Tácio pediu e foi atendido, assim que ganhou uma dividida de bola.

O detalhe negativo é a insistência em repetir cânticos de outras equipes, sobretudo, as cariocas. “Tu és time de coração, raça, amor e paixão... Ôooo meu Remoooo!”. Reconheceu? E esse? “Leãoooo do meu coração”... No final, após muita angústia e com o tento assinalado por Moisés, a torcida bicolor gritou “Olé, olé...” As imagens que encerraram o clássico foram dos bicolores de mãos dadas, agradecendo o apoio, e Moisés comandando uma correria pela pista olímpica do Mangueirão.
(Diário do Pará)
   

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